Fenafar defende valorização profissional no debate sobre novos serviços no Farmácia Popular

O Ministério da Saúde discute ampliar o Farmácia Popular para incluir serviços de saúde e exames nas farmácias credenciadas, complementando a atenção primária.

A proposta preliminar contempla aferição da pressão arterial, glicemia capilar, avaliação de risco cardiometabólico e exames laboratoriais. A implantação seria gradual, com requisitos para habilitação das farmácias e critérios de remuneração e acompanhamento dos atendimentos ainda em construção.

O tema foi debatido em reunião virtual do Grupo de Trabalho do programa, em 27 de outubro, com representantes do governo, órgãos reguladores e entidades do setor.

A Fenafar defendeu que a ampliação seja acompanhada de condições adequadas de trabalho e valorização profissional.

O presidente da Federação, Fábio Basílio, alertou para a sobrecarga dos farmacêuticos e farmacêuticas, especialmente nas grandes redes, e seus impactos sobre a saúde mental. “Acrescentar mais serviços, sem ganho salarial e sem outros farmacêuticos para ajudar é muito difícil e pode piorar o adoecimento a que vem sofrendo os profissionais nos locais de trabalho”, afirmou. A Fenafar apresentará uma proposta de dimensionamento das equipes na próxima reunião.

A diretora de Relações Institucionais, Isabela de Oliveira Sobrinho, defendeu que testes e exames estejam vinculados à consulta farmacêutica. “Eles não podem ser meramente entregues à população”, ressaltou. O cuidado, destacou, exige orientação profissional, remuneração e tempo previsto na jornada. Também manifestou preocupação com as possibilidades de telessaúde e reforçou a importância da presença do farmacêutico e da farmacêutica no estabelecimento.

Representando o Conselho Nacional de Saúde (CNS), a segunda vice-presidenta da Fenafar, Débora Melecchi, defendeu a integração das informações à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), articulada à atenção primária, e destacou a necessidade de se respeitar a farmácia como estabelecimento de saúde.

Ainda não há decisão definitiva sobre os serviços. As entidades terão 15 dias para encaminhar contribuições, e a próxima reunião está prevista para 13 de novembro.