Após mais de uma década desde sua última edição, o VI Fórum Nacional de Educação Farmacêutica marcou o retorno de um dos principais espaços de reflexão sobre a formação farmacêutica no Brasil. Integrando a programação do 17º Farmapolis Brasil, em Florianópolis, a atividade reuniu docentes, pesquisadores, estudantes, gestores e representantes de instituições para discutir os desafios da educação superior diante das transformações sociais, sanitárias e tecnológicas do século XXI.
Promovido pelo Instituto Escola Nacional de Formação e Capacitação dos Farmacêuticos (Instituto ENFar), em articulação com o Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, o Fórum teve como tema “A Formação Farmacêutica e os desafios impostos para garantia do direito à saúde no século XXI”, reafirmando a necessidade de uma formação comprometida com as necessidades da população e com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Coordenadora-geral do Instituto ENFar e responsável pela organização da atividade, Maria Helena Braga destacou que o Fórum representa o resultado de uma construção coletiva iniciada há mais de duas décadas.
Segundo ela, a realização da sexta edição foi fruto do trabalho colaborativo de dezenas de pessoas e instituições que, ao longo dos anos, mantiveram vivo o compromisso de discutir a educação farmacêutica. Para Maria Helena, o Fórum retomou uma agenda histórica iniciada em 2007, permitindo revisitar as propostas construídas no primeiro encontro, avaliar os avanços alcançados e identificar os novos desafios impostos à formação dos farmacêuticos.
“A gente fez uma ligação entre o primeiro Fórum e o que estamos construindo agora. Olhamos para aquilo que conseguimos avançar e, ao mesmo tempo, para aquilo que ainda precisamos transformar”, resumiu.
Durante os três dias de atividades, os debates foram organizados para acompanhar as principais mudanças pelas quais passa a formação em saúde. A programação teve início com uma reflexão sobre os desafios da universidade no século XXI, abordando temas como educação democrática, interprofissionalidade, políticas afirmativas e inclusão no ensino superior.
Para Maria Helena, um dos pontos centrais foi compreender que já não é possível pensar a formação farmacêutica de forma isolada.
“Hoje discutimos uma formação articulada com as demais profissões da saúde. A pergunta que orientou o Fórum foi justamente: que formação precisamos construir para responder às necessidades da população?”
Outro eixo de destaque foi o debate sobre a inserção da extensão universitária nos currículos da saúde. As discussões reforçaram o papel da extensão como instrumento capaz de aproximar universidades, serviços de saúde e comunidades, fortalecendo uma formação conectada com a realidade dos territórios e com os princípios do SUS.
O encerramento do Fórum foi dedicado à apresentação de experiências exitosas desenvolvidas em universidades brasileiras. Foram compartilhadas iniciativas relacionadas à integração ensino-serviço, fortalecimento da assistência farmacêutica, análises clínicas, extensão universitária e educação em saúde, demonstrando como diferentes instituições vêm incorporando práticas inovadoras em seus currículos.
Entre os destaques esteve a apresentação do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde sobre os 22 anos da Política Nacional de Assistência Farmacêutica, além de projetos desenvolvidos pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Federal de Goiás e Universidade Federal de Santa Catarina, evidenciando o potencial transformador da integração entre ensino, pesquisa, extensão e serviços de saúde.
Para Maria Helena, o maior legado do VI Fórum é reafirmar que transformar a educação farmacêutica não é um objetivo em si mesmo.
“Nosso compromisso é transformar a formação para atender melhor quem mais precisa. Toda essa construção faz sentido quando ela contribui para fortalecer o SUS e responder às necessidades da população.”
Ao retomar o Fórum Nacional de Educação Farmacêutica após quase dez anos, o Farmapolis Brasil recolocou a formação profissional no centro do debate sobre o futuro da assistência farmacêutica e reafirmou o papel estratégico da educação na consolidação de um sistema de saúde público, universal, democrático e socialmente comprometido.