Movimento Sindical sob ataque: a luta e a unidade como contra-ataque

No segundo dia do 3° Encontro Sul, Sudeste e Centro-Oeste de Sindicatos de Farmacêuticos, na manhã desta sexta-feira (20), o debate foi sobre os ataques sofridos pelo movimento sindical, na atualidade e a necessidade da luta e da unidade como resposta para enfrentar os prejuízos ao movimento sindical.

por Sônia Corrêa, de Brasília

Para debater o tema, a mesa composta pela representante da regional Sul, Lia Melo e da regional Centro-Oeste, Larissa Utsch, o vice-presidente da Fenafar, Fábio Basílio.

A exposição sobre o tema foi feita pelo dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Etieno de Souza, que iniciou sua fala lembrando que a luta em defesa do Movimento Sindical é histórica e persiste, enquanto houver o capital e o trabalho.

Etieno destacou que o ataque aos sindicatos não se dá apenas à questão do financiamento dos sindicatos. “A Reforma Trabalhista precariza as relações de trabalho, avilta direitos, amplia a jornada de trabalho, amplia o poder patronal sobre os trabalhadores e trabalhadoras, além de sufocar todas as esferas do sindicalismo, das associações às centrais sindicais. Esse ataque, ao contrário do que tentam dizer, não atinge apenas a organização dos trabalhadores, mas fundamentalmente atinge a classe trabalhadora”, afirma o dirigente cetebista.

Ao se referir aos recentes acontecimentos ocorridos essa semana, com o decreto que dificulta a fiscalização e autuação do Ministério do Trabalho, no combate à escravidão no Brasil, Etieno destacou a fala debochada do Ministro Gilmar Mendes, ao afirmar que trabalha muitas horas por dia e nem por isso se considera escravo.

“Ora, trabalhar muitas horas, com salários acima de 30 mil reais, mais as regalias, como auxílio-moradia de mais de 4 mil reais, entre outras, é uma piada de muito mal gosto com a grande massa de trabalhadores brasileiros”, critica o sindicalista.

Etieno de Souza afirma que a mídia vendeu a ideia de que o valor de um dia de trabalho destinado ao financiamento do movimento sindical, serve para sustentar regalias aos sindicalistas. “A luta precisa de recursos e temos que encontrar formas para manter a luta, pois este é o caminho para esclarecer a sociedade. Precisamos de união e fazer a luta e o trabalho de conscientização na base”.

Debate rico aponta a unidade e resistência como saída

O Encontro conta com a presença de sindicalistas de nove estados (GO, DF, MT, MG, RJ, SP, RS, PR e SC), que se posicionaram diante do tema proposto ao debate.

O dirigente mineiro Rilke Públio registrou que o movimento sindical sofre o maior ataque de desmonte da sua estrutura trabalhista, desde que foi criada em 1943, quando Vargar criou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que acontece sob um governo sem aprovação popular e que, portanto, se apoia nos setores do capital. Em seu entendimento, Rilke destaca que a unidade e o fortalecimento dos sindicatos para fazer a contra narrativa.

Na mesma linha, a dirigente gaúcha Débora Melecchi afirma que a unidade e a resistência são os remédios para conjugar o verbo “esperançar”, pois ele permite atuar e fazer frente aos embates atuais e vindouros. “É nossa tarefa buscar alternativas para o financiamento das entidades. Entretanto, o centro da nossa tarefa é a manutenção da luta”, assegurou.

O carioca Wendell de Cerqueira chama a atenção para os diversos pontos da Reforma Trabalhista que destroem as garantias dos trabalhadores e que, num discurso falacioso de modernidade, passa a impressão de que trata-se de algo favorável aos trabalhadores. “Precisamos construir um novo discurso que sensibilize, cuja forma seja tão atrativa quanto a utilizada pelos nossos opositores”, destaca.

Célia Chaves, tesoureira-geral da Fenafar, destacou que é preciso denunciar que o golpe aos trabalhadores se caracteriza, fundamentalmente, pelo fato de que – além da presidenta ter sido apeada da presidência, Temer, enquanto vice da Dilma, foi eleito para cumprir um outro projeto político. “O povo brasileiro elegeu um projeto que preserva os direitos dos trabalhadores, as políticas públicas e a soberania. O golpe se fundamenta pelo fato de Temer estar desmontando esse projeto e implementando o projeto que foi derrotado nas urnas”, garante Célia.

Ronald Ferreira dos Santos, presidente da Fenafar, chamou a atenção para a necessidade da unidade e a capacidade de articulação política, que permita compreender que algumas alianças pontuais que possam ferir o inimigo e garantir alguns avanços, nessa conjuntura de resistência.

“Precisamos compreender que o fio condutor é a unidade. A disputa superior, de defesa dos direitos dos trabalhadores, do Estado Democrático de Direito e da construção de um projeto nacional de desenvolvimento, não pode ser subjugada por disputas menores no interior da categoria”, afirma o presidente Ronald.

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