Centrais fazem atos unificados em todo o Brasil contra a perda de direitos

Oito centrais sindicais realizaram ao longo desta terça-feira (16) uma série de mobilizações em capitais de todo o Brasil, marcando o Dia Nacional de Mobilização e Luta por Emprego e Garantia de Direitos, em um amplo protesto contra projetos em curso que pretendem ampliar de forma ilimitada a terceirização, implementar uma Reforma da Previdência draconiana e retringir direitos previstos na CLT.

O ato unificado priorizou localidades em frente às sedes das principais entidades patronais do país. Em São Paulo, a concentração de duas mil pessoas se deu diante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista. Em Salvador, em frente à sede da Federação das Indústrias da Bahia. Movimentos similares aconteceram em pelo menos mais 12 estados, incluindo Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e centenas de locais de trabalho, que foram paralisados pela manhã em apoio ao ato.

“O que esse governo ilegítimo quer é retomar a obra neoliberal inconclusa de FHC, que nós conseguimos interromper com a eleição de Lula. Esse Congresso, que é o mais conservador na história do Brasil, quer impor o mais grave, profundo e inédito retrocesso político e social”, denunciou o presidente da CTB, Adilson Araújo, de cima do carro de som. “Devemos resistir com todas as forças, temos que manter o empenho de esclarecimento e conscientização das bases sobre esta brutal ofensiva, em contraponto à descarada manipulação dos fatos pela mídia burguesa e golpista”, continuou.

O presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, aproveitou para provocar quem estava na FIESP: “Vocês não falaram que não iam pagar o pato? Não estão pagando mesmo! Quem está pagando tudo somos nós, os trabalhadores, com o nosso futuro!”.

Além da CTB, CUT, CSP, CGTB, Força Sindical, Intersindical, NCST e UGT estiveram presentes em São Paulo. O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro Índio, deu o tom da manifestação ao falar sobre a necessidade de unidade: “Ainda que a gente considere esse governo ilegítimo, nós queremos construir a unidade com todos aqueles que queiram lutar pelos direitos dos trabalhadores e por um projeto democrático de país, que defenda uma ampla reforma política e devolva o país ao caminho do desenvolvimento, com garantia de trabalho e direitos”. Índio pediu uma vaia coletiva contra o atual ministro da Saúde, Ricardo Barros, pelo seu comentário machista recente, em que disse que “homens ficam menos doentes porque trabalham mais”.

“Os empresários financiaram o golpe de Estado e agora estão cobrando a conta. Acham que nós é que vamos pagar. Estão enganados. Esse pato não é nosso”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas. Já o presidente da Nova Central-SP, Luiz Gonçalves, falou sobre a necessidade de unidade entre as centrais. Para ele, é apenas uma questão de tempo antes que o governo interino de Michel Temer passe a perseguir sindicalistas. “Não podemos nos esquecer jamais que foi essa mesma FIESP, essa mesma burguesia, que apoiou o golpe militar em 64. E fomos nós, do movimento sindical, que fomos perseguidos, calados e torturados pelo que veio depois. Os trabalhadores precisam de união, se quiserem ter força para enfrentar o que vem”, disse.

Pautas

Os protestos tiveram duas causas comuns a todo o Brasil. Contra as recentes ações do governo e do Congresso, os sindicalistas denunciaram a Reforma da Previdência imposta por Temer, que cogita a adoção de uma idade mínima de 70 anos e afeta em especial as mulheres e os trabalhadores rurais.

Falaram também contra a redução de direitos trabalhistas que acarretaria o escancaramento das terceirizações (PL4330/04), e contra a própria ideia de alterar o conteúdo da CLT em um governos sem representatitividade. Outro tópico citado com frequência foi a tentativa de reviver a prevalência do negociado sobre o legislado, que colocaria os assalariados em uma posição de extrema desvantagem contra os empregadores.

Para além das ameaças imediatas em tramitação, os manifestantes falaram em defesa da valorização do salário mínimo, da ampla oferta de emprego formal e da preservação da soberania nacional, em especial na questão da Petrobras e do pré-sal – setores cuja sinalização recente do governo tem sido no sentido de abandono e entreguismo. O presidente Adilson Araújo explicou recentemente, em artigo, que isso faz parte do projeto de espoliação imposto por Michel Temer, e deve ser repudiado pela CTB.

Fonte: CTB

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