Escola Nacional dos Farmacêuticos realiza curso em SP sobre a história do trabalho farmacêutico

O curso Trajetória do trabalho farmacêutico no Brasil, da industrialização ao cuidado do paciente aconteceu na sede do Sindicato dos Farmacêuticos de São Paulo no sábado, 05 de novembro.

 

Ministrado pela professora e diretora da Escola Nacional dos Farmacêuticos Marselle de Carvalho, o curso ofereceu um panorâma da profissão ao longo da história do Brasil. Marselle explica que partiu de algumas premissas para desenvolver o curso. “A primeira foi discutir o trabalho, o que é, quais suas características, o contexto em que ele está inserido e que os sentidos e significados do trabalho não são fixos, eles mudam de acordo com o contexto”. A segunda, foi mostrar que “o trabalho farmacêutico é um trabalho de saúde que tem características particulares. Ele ocorre na esfera dos serviços e é prestado no interior de estabelecimentos de saúde”.

Marselle demonstrou que o trabalho do farmacêutico está inserido neste contexto, “embora em alguns momentos da história do Brasil ele estivesse mais ligado ao comércio e em outro mais ligados aos estabelecimentos de saúde”. Isso se deve, de acordo com a professora, porque “a história do trabalho farmacêutico no Brasil tem momentos de continuidade e descontinuidade, em alguns momentos esteve mais próximo ou mais distante desse trabalho diretamente ligado ao cuidado com as pessoas. Um marco disso foi a instalação da indústria no Brasil, que faz com que os farmacêuticos fossem empurrados para outros trabalhos para sobreviver, uma vez que as farmácias se reconfiguraram e se transformaram em grandes estabelecimentos comerciais. Isso levou os farmacêuticos irem buscar trabalho em outras áreas, como por exemplo nas análises clínicas”, destaca.

A influência do trabalho também se reflete na formação. “Outro ponto que discutimos é a influência do mundo do trabalho na formação desse trabalhador. De tempos em tempos nós tivemos reestruturações ou revisões do ensino farmacêutco no Brasil em função disso. Por exemplo, a reforma de 62/63 que pelo trabalho estar mais voltado para as análises clínicas e indústria, promoveu uma mudança nos currículos que esteve vigente até 2002. Essa mudança acabaou centralizando a formação em áreas que não eram tradicionalmente ocupadas pelo farmacêutico. Isso acabou levando a uma adjetivação da nossa formação que foram as habilitações, análises clínicas e indústrias. Isso pautou a nossa formação até a publicação das Diretrizes Currículares Nacionais de 2002, que agora pautadas pelas exisgências do Sistema Único de Saúde de que tipo de farmacêutico o SUS precisaria. Assim, o que passa a orientar a formação do profissional é o SUS, que absorve cerca de 20% dos profissionais”.

Marselle chamou a atenção durante o curso que mesmo assim, “atualmente a formação do trabalho farmacêutico ainda é hegemônicamente pautada pelas farmácias comerciais, mas existe um aumento da participação do farmacêutico no setor público, especialmente no ambito da farmácia hospitalar e da atenção básica. Isso tem promovido algumas modificações desse trabalhador nas suas características e identidade, reorientando seu trabalho para o cuidado com as pessoas. Porque essa é uma das orientações do SUS, especialmente a partir de 2008, quando esse profissional foi incorporado no Núcleo de Apoio à Saúde da Família, que trabalha na lógica do matriciamento, do trabalho em equípe, da articulação multiprofissional e que exige desse farmacêutico habilidades de comunicação e de cuidado do paciente que não é só mais o gerenciamento do conteúdo da caixinha de medicamento, mas o cuidado direto desse usuário do sistema”, afirmou.

A diretora da Escola Nacional dos Farmacêuticos resumiu o curso como um “um passeio pela trajetória histórica do trabalho farmacêutico a partir do contexto econômico, social e político de cada período histórico do Brasil, onde este trabalhdor sai da característica do boticário, com formação artesanal – e que depois passa a ser uma farmacêutico diplomado – , para um trabalhador que se insere na lógica do mercado e comércio e acabaca sendo um vendedor de produtos, numa relação fria e distante do paciente; mas que nos dias atuais tenta retomar a relação de cuidado das pessoas, retomando a proximidade com o paciente, como ele tinha lá no início da profissão”.

Para o diretor do formçaão do Sinfar-SP, Fábio Garcia, “o curso foi importante principalmente para os novos que estão ingressando no sindicato, para conhecer um pouco da história. O curso é importante para resgatar o papel do farmacêutico na sociedade e resgatar os depoimentos dos diretores mais antigos”.

O presidente do Sinfar, Glicério Maia, disse que “o curso é de suma importância, já que ocorre no contexto das comemoraçoes dos 70 anos do Sindicato. Tivemos um balizamento da linha do tempo de todos os projetos e lutas que o movimento sindical fez para que a categoria reconheça o seu papel. A partir da nova gestão pretendemos ampliar esse tipo de iniciativa”.  

Da redação

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