RS: Passando dos limites aceitáveis: Sindberf apresenta proposta em mediação e depois volta atrás

A negociação do Sindicato dos Farmacêuticos do RS com o Sindicato dos Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul – Sindberf continua sem definição. Passado um ano sem conseguir negociar com o sindicato patronal, os sindicatos que representam os trabalhadores da área da saúde de forma unitária buscaram a intermediação do Tribunal Regional do Trabalho.

“Após diversas rodadas de negociação com mediação do desembargador do TRT, continuamos sem uma proposta de consenso que possa evoluir para a convenção coletiva relativa a 2016, o que impede de avançarmos também na negociação deste ano. A cada rodada as propostas apresentadas pelo mediador após a avaliação de ambas as partes, sindicatos dos trabalhadores e sindicato patronal, pareciam chegar ao consenso, mas sempre que o patronal pedia tempo para avaliar voltava com contraproposta mais rebaixada ou mesmo totalmente refutada”, relatou a diretora do Sindifars, Célia Chaves, que acompanha todo o processo.

Até o momento, os sindicatos de trabalhadores conseguiram acordar apenas a reposição de 5% referente ao ano de 2016 a ser pago em novembro de 2016, na primeira folha de pagamento após a assinatura da convenção e ainda a reposição de 100% do INPC referente ao ano de 2017 a ser pago em duas vezes sendo 50% na data-base e 50% 30 dias depois. Ainda ficou acertado que serão mantidas as cláusulas sociais específicas de cada categoria e garantido o mesmo índice de reajuste para todas as cláusulas com repercussão econômica.

O grande impasse para o fechamento das convenções é com relação ao resíduo do INPC de 2016, diferente para cada categoria profissional, em função das datas-bases diferentes. “O patronal não queria nem discutir esta questão, depois de muita insistência do mediador, que apresentou a proposta de que fosse paga ainda este ano, o Sindiberf contrapôs com o pagamento de apenas 50% do devido e ainda dividido em duas parcelas, uma a ser paga em janeiro de 2018 e outra um mês antes da data-base de cada categoria, no caso dos farmacêuticos julho de 2018”, contou Célia.

Assim, o mediador apresentou uma proposta de que o pagamento fosse feito integralmente, ou seja, 100% do resíduo e não 50% como proposto pelo patronal, de uma única vez, embora apenas um mês antes da data-base, em 2018. Contudo, o patronal alegou que esta proposta teria um impacto muito grande na folha e os hospitais não teriam condições de cumprir, fez uma contraproposta de dar 100% do resíduo de 2016 para categorias como os farmacêuticos, nutricionistas e assistentes sociais, que tem salários médios e são em menor número nos hospitais. Para os demais profissionais os 100% só atingiriam os trabalhadores de salário até R$ 2.200.

Apesar de apresentada pelo Patronal, foi solicitado tempo para confirmar a proposta antes que os sindicatos submetam o assunto em assembleia das categorias. “Para nossa surpresa, dois dias depois o Sindberf retornou com a informação de que não teria como manter a proposta, pois fazendo os cálculos não teriam como cumprir. Consideramos um grande desrespeito para com os trabalhadores e, inclusive, com o desembargador que está procedendo a mediação. Estamos avaliando quais os próximos passos e medidas que vamos adotar, pois este processo já está passando dos limites aceitáveis. Caso venhamos a chamar assembleia das categorias para tomar uma posição seria de fundamental importância a participação dos farmacêuticos demostrando sua inconformidade com esta situação”, afirmou Célia.

Fonte: Sindfars

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