Sinfar-MT e Fenafar realizam 1º Encontro de Saúde do Trabalhador Farmacêutico

Discutir as políticas de valorização do trabalho que impactam para garantir dignidade e cuidar da saúde do profissional farmacêutico foi o objetivo do encontro realizado pelo Sindicato dos Farmacêuticos do Mato Grosso com apoio da Fenafar e do Conselho Regional de Farmácia do MT.

 

A abertura do seminário foi feita pelo presidente do Sinfar-MT, Wille Calazans, e a mesa foi composta pela Dra. Suely Abreu representando o CRF-MT; Dra. Eliane Simões, diretora de Saúde e Segurança do Trabalho da Fenafar, Dra. Larissa Seba, diretora regional Centro-Oeste da Fenafar, Dra. Marilin de Castro Cunha Tedesco, presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar em Mato Grosso (Sbrafh-MT), Dra. Danielle Ayr, coordenadora do Curso de Farmácia da Univag, e Dr. Benedito Antonio de Campos, ex-diretor de Saúde e Segurança do Trabalho do Sinpen-MT.

Em sua fala no início do seminário, a Dra. Eliane Simões destacou a importância da realização deste seminário. “A saúde dos trabalhadores farmacêuticos é uma realidade que precisa ser diagnosticada e debatida, e esperamos sair deste evento com alguns encaminhamentos”, disse ela.

Durante a evento que aconteceu nos dias 09 e 10 de setembro foram discutidas “As investidas contra os direitos trabalhistas”, “As normas regulamentadoras como proteção aos trabalhadores”, “A centralidade e complexidade do trabalho na vida do trabalhador” e “A defesa do SUS e o trabalho a partir das perspectivas dos profissionais de saúde”.

Os diretores da Fenafar presentes no evento destacaram que o encontro integra uma inicativa ampliada da Federação, que está levando o debate sobre a saúde do farmacêutico para todos os Estados, para que se conheçam as condições dos profissionais farmacêuticos no mercado de trabalho brasileiro.

Durante o encontro, os participantes responderam um questionário sobre a saúde dos trabalhadores, e as respostas indicaram qual é o perfil e quais as necessidades dos profissionais farmacêuticos.

Para a diretora de Organização Sindical da Fenafar, Débora Melechi, o encontro em Mato Grosso foi um grande sucesso, e os temas discutidos deverão se traduzir em ações concretas, podendo inclusive servir de instrumento para o Sindicato dos Farmacêuticos durante as mesas de negociação.

“Além disso, o seminário nos abre uma discussão mais ampla, tanto no campo do trabalho como da saúde, sobretudo nessa conjuntura que estamos vivendo e que está se vivenciando claramente as perdas de direitos trabalhistas de todas as categorias. O seminário proposto pela Fenafar, e que o Sinfar-MT trouxe, quer discutir o trabalho farmacêutico vinculado ao trabalho de todos os trabalhadores da saúde. Essa luta e essas demandas não são apenas dos farmacêuticos, mas de todos os trabalhadores que atuam no Sistema único da Saúde”, observou ela.

Prioridade

Conforme foi lembrado pela Dra. Débora, desde a realização do seu último congresso, em agosto do ano passado, em Cuiabá, a Fenafar criou a pasta específica da saúde do trabalhador com essa preocupação, porque na categoria dos farmacêuticos esse ainda é uma tema muito recente.

“Estamos na fase inicial, e precisamos aprofundar as discussões sobre como está a saúde do farmacêutico em todo o país. Esse seminário, portanto, está sendo realizado pelos sindicatos filiados à Fenafar. Já realizamos seminários na Bahia, no mês de julho, e agora em Mato Grosso, sendo que o próximo deverá ocorrer em novembro, no Rio Grande do Sul, sempre com esse olhar e com essa preocupação, de se ter um diagnóstico completo da categoria dos Farmacêuticos, e como a gente dialoga, com os demais trabalhadores da saúde, de forma que o tema, a saúde do trabalhador, passe a ter mais centralidade na ação política da Federação, que seja, evidentemente, executada pelos sindicatos nos Estados”.

A diretora de Saúde e Segurança do Trabalho da Fenafar, Eliane Simões, observou que o debate sobre a questão de saúde do trabalhador farmacêutico merece toda atenção, sendo considerado como uma das prioridades entre as ações da Federação.”Foi um encontro promovido pela nossa Diretoria, em que eu sou diretora de saúde e segurança do trabalho. A iniciativa partiu de uma preocupação nossa quanto às condições desse profissional no mercado de trabalho, no momento em que nós, enquanto diretores, temos que trazer para a Federação uma proposta, que se inicia com uma pesquisa. Essa pesquisa consiste num questionário aplicado a todos os sindicatos filiados à Fenafar. O objetivo dessa pesquisa é conhecer a realidade do trabalhador farmacêutico”, explicou.

Alerta

No ambiente de trabalho dos farmacêuticos tem sido verificada a existência de problemas de ordem psíquica e o adoecimento por conta de toda uma tensão existente, pelo fato de que esses estabelecimentos ainda são comerciais, e não de saúde. Foi o que disse a Dra. Eliane Simões, durante o 1º Encontro de Saúde dos Trabalhadores Farmacêuticos, realizado em Cuiabá. Segundo ela, o trabalho profissional dos farmacêuticos tem sido confundido, porque eles estão nas farmácia para atuar na assistência à população, e não para vender o medicamento, atingir metas e dar lucro ao mundo capitalista do setor.

A diretora da Fenafar também falou sobre o andamento da parceria com o CRF-MT e as demais entidades junto à Fenafar. “Essas entidades estão buscando nesse momento a unidade, porque precisamos entender que o farmacêutico é um profissional que tem que ser valorizado, e essas instituições têm tentado atuar em parceria, de forma única, para poder conseguir o objetivo, já que um dos propósitos delas é garantir a defesa desse trabalhador, garantir os seus direitos. E o Conselho Regional, com todas essas garantias que os sindicatos e a Federação têm buscado no propósito dessa defesa dos trabalhadores, tem conseguido levar adiante a sua missão de fazer com que o profissional farmacêutico esteja nas unidades de trabalho defendendo a sociedade e dando a ela o que ela precisa, que é uma assistência segura, integral, respeitosa e humana”.

O conselheiro regional do CRF-MT Antonio Casarin, que participou do evento até o seu encerramento, considerou que os farmacêuticos ainda enfrentam muitos desafios no trabalho. “Sabemos das dificuldades que os farmacêuticos enfrentam no trabalho, pelo fato que os empresários de um modo geral ainda não entendem, realmente, a necessidade desse apoio para os farmacêuticos. Quanto melhor a saúde e as condições de trabalho do farmacêutico, melhor será a contribuição desse profissional para a saúde da população”, declarou ele,complementando que a provocação do debate sobre esse tema é muito oportuna. “Tivemos um debate muito interessante em todas as áreas, e as discussões foram tantas que ainda faltou tempo para o debate de tudo o que se pretendia. Mas foi bastante válido, este foi o nosso primeiro encontro, e certamente haverá mais eventos dessa natureza daqui para a frente. Essas discussões têm que ser ampliadas para que se chegue a um posicionamento melhor na área profissional”.

Encaminhamentos

O presidente do Sinfar-MT encerrou o evento destacando que o encontro foi muito importante. “A Federação Nacional dos Farmacêuticos se fez presente, nos dando todo apoio possível, e com o apoio também do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso. Foi possível trazer ao seminário colegas de trabalho que avaliaram a saúde e a segurança do trabalhador farmacêutico. Isso nos deu um perfil real de como se encontra a questão dos nossos trabalhadores no Estado de Mato Grosso. Conseguimos saber e discutir sobre os aspectos específicos e doenças ocupacionais que têm acontecido na Categoria. Com esse diagnóstico agora temos um norteamento para que a gente possa, a partir desse levantamento, ter subsídios para se buscar a implantação do adicional de insalubridade, que é uma das bandeiras de luta da nossa Categoria”.

O presidente do Sinfar-MT explicou que o próprio Sindicato dos Farmacêuticos se compromete, a partir de agora, com a criação de uma comissão de saúde e segurança do trabalhador farmacêutico, para dar prosseguimento às ações que surgiram. “Deixamos, juntamente com a Fenafar, uma busca em relação a esse levantamento, finalizando o processo de segurança do trabalhador, onde o profissional farmacêutico possa conhecer, além dos direitos que ele tem, e além das normas regulamentadoras, evitando assim que uma população jovem , como foi constatada que existe em Mato Grosso em termos de farmacêuticos, na faixa de até 35 anos, apresentando grandes problemas de saúde ocupacional voltadas para a ergonomia, problemas oftalmológicos e outros casos, inclusive psíquicos. Tentaremos, dessa forma, poder barrar esses tipos de problemas, pois como temos um grande número de colegas jovens, é inadmissível que eles já tenham sintomas dessa natureza”, concluiu ele.

Fonte: CRF-MT

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