O presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Fábio Basílio, participou nesta segunda-feira (25) de uma reunião da Câmara de Graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG), que discutiu a proposta de criação do curso de Engenharia Farmacêutica.
A Fenafar já havia se manifestado publicamente contra a iniciativa, por meio de nota conjunta com o SinfarGO, que teve grande repercussão nacional. Agora, durante a reunião, a entidade voltou a reafirmar sua posição contrária, alertando para os riscos e prejuízos que o novo curso pode trazer ao ensino superior, à profissão farmacêutica e à sociedade brasileira.
Em sua fala, Basílio destacou a tradição e a relevância da Faculdade de Farmácia da UFG, que em 2025 completa 80 anos de história, sendo reconhecida nacional e internacionalmente pela qualidade da formação. Ele lembrou ainda que é egresso da instituição e ressaltou que a profissão farmacêutica já contempla todas as competências necessárias para atuar na indústria farmacêutica, não havendo qualquer justificativa para a criação de uma graduação paralela.
— “Chamo atenção para a falta de necessidade de uma nova profissão, uma profissão que não tem CBO, não tem sindicato, não tem conselho de classe. Quem vai representar esses trabalhadores? Será que no mercado de trabalho eles serão valorizados como os farmacêuticos são? Ou será que vão desvalorizar outras profissões? Uma profissão só é forte se ela for organizada, e esse curso surge simplesmente por uma demanda de um instituto, o que é arriscado e perigoso para o país”, afirmou.
O presidente da Fenafar também alertou para a sobreposição de conteúdos com os cursos já existentes, como Farmácia e Engenharia Química, ressaltando que tanto os farmacêuticos quanto os engenheiros são contrários à criação da nova graduação.
— “Na lei 3.820/1960 está claro que o farmacêutico é o responsável técnico pela indústria. Como que um trabalhador formado nesse curso poderia assumir essa função? Trata-se de uma invasão de âmbito, que fragiliza o mercado de trabalho. E não é apenas uma luta corporativa, mas uma defesa da população brasileira, porque quem garante a qualidade do medicamento no Brasil é o farmacêutico”, completou.
Basílio encerrou sua participação reforçando que a Fenafar e os farmacêuticos de todo o Brasil repudiam a proposta da UFG:
— “É um curso desnecessário para a sociedade brasileira, que deve ser rechaçado por esta Câmara. Criar um curso assim, que não tem respaldo das áreas envolvidas, só fragiliza nossa universidade, nossa profissão e, sobretudo, a saúde da população. Essa é a posição da Fenafar e dos farmacêuticos brasileiros”, concluiu.