A Fenafar vem a público refutar informações distorcidas publicadas pelo site Panorama Farmacêutico. A matéria apresenta uma visão unilateral do debate sobre a redução da jornada de trabalho, ouvindo exclusivamente representantes patronais, executivos de redes e consultorias empresariais. Não há contraponto de entidades representativas dos trabalhadores ou de pesquisadores independentes.
Ainda mais grave é a afirmação de que o site teria procurado a Fenafar, o Sinfar-SP e o Sinfarmig e não obteve retorno. Trata-se de uma mentira. Contestamos a informação e exigimos retratação, pois não recebemos solicitação de entrevista como afirmado.
O debate sobre a redução da jornada possui respaldo em pesquisas. Uma nota técnica publicada pelo IPEA demonstra que a redução da jornada para 40 horas semanais teria impacto inferior a 1% no custo operacional total em setores com grande geração de empregos, como comércio e indústria.
Pesquisas acadêmicas apontam ainda efeitos positivos da redução da jornada. Levantamento do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp), indica que a redução de 44 para 36 horas semanais pode gerar até 4,5 milhões de empregos no país e elevar a produtividade em cerca de 4%.
Os argumentos alarmistas apresentados por representantes patronais repetem uma lógica histórica. Os mesmos discursos foram utilizados no passado para tentar impedir conquistas, como férias remuneradas, 13º salário e a própria redução da jornada para 44 horas semanais.
A redução da jornada de trabalho é uma discussão civilizatória, alinhada às transformações tecnológicas e às mudanças no mundo do trabalho. O objetivo é garantir melhor qualidade de vida, mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, redução do adoecimento e geração de empregos, sem prejuízo à atividade econômica.
Nosso compromisso é com um debate público qualificado, baseado em dados e evidências, e não em opiniões interessadas de executivos do setor.
Por respeito ao direito à informação e ao equilíbrio jornalístico, a Federação exige que o Panorama Farmacêutico publique retratação e assegure espaço para a posição das entidades representativas dos trabalhadores farmacêuticos.