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Ainda somos os mesmos, somos trabalhadores! Por Sérgio Luis*

Fenafar e Sindicato em ação

Dia 01 de maio de 2017, Dia Internacional do Trabalhador. Os termos “trabalho” e “trabalhador” se encontram no ápice das discussões e debates pelos brasileiros nos últimos meses, desde que o governo enviou ao congresso a Reforma Trabalhista com o discurso de flexibilização e modernização da Consolidação das Leis do Trabalho.

Um texto polêmico e extremista, que enfraquece e muito o direito do trabalhador. E estranhamente não só fortalece de forma polarizada o segmento patronal, como não mostra uma definição clara do que será trabalho nesta CLT “moderna e flexível”. Na verdade parece até que a palavra trabalho e trabalhador ficarão em desuso. Flexibilizar, para quem defende o texto, é o trabalhador e o patrão poderem construir sem os sindicatos contratos individuais e até acordarem formas de rescisões dos mesmos. Então, o que será trabalho neste modelo inovador? Será uma prestação de serviços livre e que todos ficarão satisfeitos para ambos os lados? Devemos então sonhar que as negociações salariais e de condições de trabalho que temos hoje no Brasil, que são em muitos segmentos bastante difíceis nas mesas de negociações entre sindicatos e patronal, de repente ficarão bem melhores! Isto é, se ainda em um futuro próximo tivermos mesas de negociação. Pois mesmo que o trabalhador queira a participação dos Sindicatos propondo Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, não acredito que as empresas irão se aceitar que isto ocorra, e sim vão pressionar o empregado a fazer o Acordo Individual de Trabalho. E que fique claro, estamos destacando só um ponto entre os mais de 100 (cem) que o governo tenta convencer a população em geral para a CLT da “era moderna”.

É lamentável a maioria dos deputados e senadores estarem seguindo o governo, sem discutir o prejuízo que o texto traz, apenas pela orientação política do Planalto. Mas os trabalhadores brasileiros já estão a cada dia mostrando sua insatisfação com os parlamentares que apoiam a Reforma, e o mais importante: nunca tantos trabalhadores e a população em geral buscaram conhecimentos sobre os regimentos trabalhistas e sobre o que os tramites do Congresso Nacional. Os textos da modernidade e flexibilidade vêm cheios de retrocessos, peço desculpas pela incoerência que o assunto permite, mas estão trazendo um movimento importante para a construção da cidadania para um povo, a informação de seus direitos. Instrumento temido por muitos, principalmente por aqueles que não aceitam o enfretamento do debate, achando melhor fazer “Deformas” e a “Desmocratização” através de imposição de propostas.

Mesmo assim devemos comemor o dia 01 de Maio, pois como diz a canção de Belchior, que nos deixou em 30 de abril 2017:

Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemosAinda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

É nosso dever continuarmos lutando pela garantia do nosso trabalho e das novas gerações. Foi o que fizeram nossos pais e avôs na defesa dos Direitos Trabalhistas e outros direitos. A pior dor é a dor do comodismo!

Sérgio Luis
Presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado da Paraíba
Diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Farmacêuticos

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