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Quarta, 21 Janeiro 2015 14:19

O Consumo de Medicamentos no Brasil - a tênue linha entre o remédio e o veneno, por Rilke Novato*

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Os índices do crescimento do setor farmacêutico no Brasil demonstram de forma inequívoca a forte expansão do consumo de medicamentos no país.Mesmo com a desaceleração da nossa economia nos últimos anos, este setor caminha a passos largos. Entre 2007 e 2013, o Brasil saltou da décima para sexta colocação no mercado farmacêutico mundial e a estimativa é de que em 2017 o país chegue ao quarto lugar ficando atrás somente de Estados Unidos, China e Japão. Em 2013, o faturamento do setor farmacêutico brasileiro foi da ordem de R$ 58 bilhões, um portentoso aumento de 140% em uma década.

 

Crescentes também têm sido os investimentos do setor público, na disponibilização de medicamentos nas farmácias das unidades de saúde (hospitais e postos de saúde). A evolução dos investimentos em medicamentos feitos pelo Ministério da Saúde aponta que em 2003 foram investidos 1,8 bilhões de reais e em 2013 esse valor saltou para R$11,88 bilhões.

 

O Brasil possui cerca de 80 mil farmácias, distribuídas sem critérios geográficos, demográficos ou epidemiológicos, com forte apelo mercantil. Pesquisas recentes apontam que o hábito de usar medicamentos sem a orientação de médicos e farmacêuticos chega a índices alarmantes. Mais de 76% dos entrevistados admitem se automedicarem com base em informações de propagandas e “dicas” de amigos e vizinhos

 

Estudos sobre a automedicação no Brasil apresentam os seguintes fatores como principais causas para o elevado índice de consumo de medicamentos: população não educada (desinformação), propaganda excessiva e indutora, fiscalização sanitária deficiente e dificuldade de acesso às consultas médicas tanto no serviço público quanto na rede privada.

 

O uso indiscriminado de medicamentos em nosso país tem levado a conseqüências preocupantes. Pesquisa sobre os principais agentes causadores de intoxicações humanas, feita pela Fundação Osvaldo Cruz, vem constatando que as intoxicações por medicamentos lideram o ranking das substâncias causadoras de intoxicações humanas, superando inclusive, produtos químicos e os pesticidas usados na agricultura.

 

Mas nem tudo está perdido. Em 20014, após 20 anos tramitando no Congresso Nacional, foi aprovada a Lei n. 13.021/2014 que dispõe que a farmácia é um estabelecimento de prestação de serviços de saúde e não mais um mero ponto comercial de medicamentos. Esta lei, prevê como obrigação do farmacêutico, acompanhar os pacientes que estão em tratamento medicamentoso, provendo-os com todas as informações necessárias e inclusive informando ao médico prescritor sobre reações adversas que possam comprometer o tratamento.

 

Neste dia 20 de janeiro, quando comemoramos o “Dia do Farmacêutico”, chamamos a atenção da sociedade brasileira para o antigo, mas sempre oportuno jargão: A informação é o melhor remédio e, quando o assunto é remédio, os farmacêuticos são os profissionais aptos para fornecer a informação mais segura.

 

Rilke Novato Públio
Farmacêutico; vice-presidente da Fenafar, diretor do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais
Artigo publicado originalmente no jornal O Tempo, de Minas Gerais 

Lido 9077 vezes Última modificação em Quinta, 29 Janeiro 2015 11:30