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Fenafar: Para enfrentar a crise é preciso unir forças

Fenafar e Sindicato em ação

Neste sábado, 02 de dezembro, o Conselho de Representantes da Fenafar discutiu o que fazer diante da crise polítca, econômica e institucional do Brasil.

A reunião foi aberta pelo presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, que falou da importância de descortinar rumos para enfrentar os desafios que estão colocados para o povo e para a nação.

O vice-presidente, Fábio Basílio, reiterou que o Brasil e os trabalhadores estão sob ameaça. “Em um ano de governo, Temer conseguiu entregar tudo que prometeu, faltou só a reforma da previdência. Temos que seguir firme na luta. O momento é difícil mas não é o fim, é só mais uma batalha”.

A segunda vice-presidente,Veridiana Ribeiro, diz que o país nunca passou por um momento tão difícil como este. “Neste momento a luta é pela sobrevivência do trabalhador e do movimento sindical, temos que ir para as ruas conquistar mentes e corações. Mas não está fácil”. Veridiana criticou o fato de setores do movimento terem desmarcado a greve geral do dia 05/12. “Não foi consenso. Essa iniciativa mostra a nossa fragilidade e como estamos desorganizados. Não estávamos prontos para enfrentar tamanho desmonte. Parece que fomos atropelados e estamos meio desnorteados”.

Após as falas de abertura, o vice-presidente da CTB, Divanilton Pereira fez uma análise da situação política e econômica do país, e como este quadro é reflexo das mudanças geopolíticas em curso no mundo.

A influência das mudanças na geopolítica mundial no golpe brasileiro

Ele fez um resgate da configuração geopolítica mundial desde o início do século XX. A partir da revolução russa, o mundo viveu um quadro de forças polarizado por dois grandes blocos econômicos – o império norte-americano e os países organizados em torno do modelo capitalista e os países reunidos em torno da União Soviética. Com a queda do muro, lembra ele, a houve a quebra dessa geopolítica bipolar e o mundo passou a ser dominado pela hegemonia neoliberal “que começou a impor a sua agenda em todas as dimensões – cultural, política, ideológica – foi o auge do estado mínimo, das privatizações. Foi essa alteração na geopolítica que permitiu a produção do Consenso de Washington”, recorda. Outra mudança importante na geopolítica aconteceu em 2006 com a constituição do BRICS: “um conjunto de países com enorme mercado, relativo parque industrial, que começou a não aplicar a agenda neoliberal, sobretudo aquela que dizia que o Estado não tinha papel numa agenda nacional de desenvolvimento”, explicou o vice-presidente da CTB. A construção deste bloco deu início a uma nova configuração geopolítica multipolar, com vários blocos que disputam influência em escala global”.

Divanilton avalia que o “ciclo das experiências populares e progressistas na América Latina – que assumiu um lado nesta disputa geopolítica e passou a estabelecer outros diálogos e exercitar uma certa independência com relação aos EUA – perturbou tanto que deu início a uma onda de conspiração contra os projetos progressistas na nossa região”. Ele cita os golpes de novo tipo que aconteceram no Paraguai, Honduras, as tentativas de desestabilização na Venezuela e o golpe no Brasil.

“A disputa no Brasil não é de gestão e escolhas sociais, tem haver com o papel que o nosso país e a nossa região joga na geopolítica mundial. O objetivo é impedir que essa região continue dando reforço a um desenho geopolítico multipolar”, afirma Divanilton.

Para o vice-presidente da CTB, essa é razão do golpe. Por isso, ele afirme, “o golpe não se iniciou nem terminou com a deposição da presidenta Dilma Rousseff, o golpe está em curso. A agenda econômica continua sendo o grande fator de unidade das forças conservadoras”.

O que fazer?

Divanilton considera que, “num ambiente deste, em que está em curso uma recolonização do Brasil, o movimento social e sindical isoladamente não vão conseguir enfrentar essa batalha, muito mesmo vencer. Este episódio do dia 05 [a iniciativa unilateral de algumas entidades de desmarcar a greve geral] revela o menosprezo em torno da disputa, do destino da nação. Não se quer aqui ver quem tem mais protagonismo. O tema da previdência é muito sensível. Não podemos subordinar o movimento dos trabalhadores à data da votação da Reforma da Previdência no Congresso”.

Ele chama a atenção, ainda, que “nos momentos de crise os menores tendem a desaparecer – temos que dialogar com estes setores. A greve de 28 de abril foi bem sucedida porque ela foi articulada de forma ampla, com amplos setores. Precisamos voltar a fazer isso”.

Rilke Novato, diretor de relações Institucionais, ressalta que a desigualdade está cada vez mais alarmante. De outro lado, há uma insafisfação com a Reforma Política. “Precisamos envolver a sociedade. Temos que trazer a categoria farmacêutica para se envolver na luta contra a reforma da Previdência, em defesa do SUS”.

Sobre os ataques aos direitos da categoria farmacêutica, Rilke salienta que é preciso estar atento para as “tentativas de supostos avanços para a profissão farmacêutica e que tem por detrás o interesse econômico. Um exemplo é o teste rápido para HIV em farmácias e drogarias. Essa proposição vem ao encontro da lógica capitalista, tudo pode ser vendido. Temos que ter a sobriedade de entender o que estão propondo para a nossa profissão, os rumos da nossa profissào diante desta celeridade de ganhos para o capital, de reconfiguração do trabalho, para além da Reforma Trabalhista. Temos que perceber que a ordem econômica mundial tem imposto uma relação de trabalho que está a serviço da lógica da acumulação capitalista”.

O presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, diz que o “universo do trabalho do farmacêutico é o espaço para o qual temos que pensar essa conjuntura e ver como vamos intervir nela. Precisamos enfrentar a principal contradição, que é a ultra concentração da riqueza produzida. Para isso, precisamos de grande força política e social. Não faremos isso só com desejo e vontade. Temos que nos unir com os companheiros que atuam nos conselhos profissionais e que atuam como empreendedores. Temos que buscar essas pessoas para trazê-las para essa luta, para somar conosco”.

De São Paulo, Renata Mielli
02/12/2017

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